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CAPÍTULO 3: "O Cárcere da Dependência"
 O sofrimento dos que buscam a liberdade, mas acabam numa prisão.

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16/Outubro

    "Embora seja assunto de todas as camadas sociais e dos meios de comunicação, a problemática 'drogas' permanece obscura, senão deturpada, sujeita a interpretações vagas, até mesmo entre os profissionais de saúde mental. Por isso, vale insistir nos esclarecimentos: as causas que induzem um jovem a iniciar no uso de drogas são muito complexas e envolvem fatores psíquicos, familiares e sociais; a dependência física e a psicológica mantêm-no preso no tempo e podem tirar-lhe a vida ou prejudicar-lhe o desempenho intelectual e profissional.

    Sob o domínio de necessidades imperiosas provocadas pela dependência, o usuário de drogas continua a ingeri-las, até mesmo contra sua própria vontade, para eliminar o sofrimento e, consequentemente, tentar obter algum prazer."

17/Outubro

O PARADOXO DA BUSCA PELO PRAZER E DO ENCONTRO COM A DOR

    "No diálogo com os dependentes, descobre-se uma incrível contradição a respeito do uso de drogas: O que as pessoas, na sua maioria jovens, buscam e sonham encontrar é totalmente divergente daquilo que realmente encontram. Procuram a aventura e acabam presos na mais amarga das prisões. Querem um mundo diferente daquele oferecido por suas famílias e pela sociedade - mundo no qual nada os controlará, onde farão suas 'viagens' sem serem importunados -, mas acabam se transformando nos mais restritos, nos mais manipulados dos seres, controlados por substâncias tão minúsculas e insignificantes."

18/Outubro

O CIGARRO CAUSA MAIS PREJUÍZOS QUE A MACONHA ?
  

    "Sabe-se, principalmente porque a Ciência o estudou mais, que o cigarro provoca mais prejuízos físicos do que a maconha, de enfarto ao câncer. Contudo, o tetrahidrocanabinol, substância psicoativa da maconha, prejudica mais o território da emoção do que a nicotina do cigarro. Em virtude do seu alto potencial tranqüilizante, a maconha conduz os usuários contínuos a encolherem sua capacidade de motivação e liderança. Eles se tornam pessoas sem garra, sem dinamismo, sem intrepidez e coragem para ocupar seus espaços profissionais e para transpor obstáculos sociais. Infelizmente, ninguém comenta ou estuda esse assunto."

21/Outubro

 UMA HISTÓRIA DE AMOR
  

"Quando um jovem termina o romance com a namorada, mas ainda continua a pensar nela, a namorá-la em seus sonhos e, quando a vê, tem taquicardia e outros sintomas físicos, então a possibilidade de ele reatar esse romance é grande, pois a jovem ainda representa algo importante para ele, embora esteja fisicamente separado dela.    O mesmo acontece com a dependência das drogas. Quando um jovem para de usá-las, mas ainda pensa nelas, sonha com elas e se lembra dos efeitos que elas propiciavam quando estava atravessando algum conflito, ou ainda, se sente desejo por elas quando alguém lhe oferece, então é muito provável que, um dia, ele volte novamente a usá-las, pois o 'romance' ainda não terminou nos porões de sua memória. (...)    Não é suficiente que se pare de usar as drogas, é preciso que elas percam sua representação interior, ou seja, o significado psicológico que ocupam na vida da pessoa. Caso contrário, o romance poderá ser reatado um dia, principalmente porque as drogas estão sempre disponíveis."

22/Outubro

 NEM TUDO O QUE PROPICIA PRAZER É SAUDÁVEL
  

    "... não se pode negar que as drogas proporcionam prazer aos usuários. Não há porque se surpreender com isso, embora quando se instala a dependência, eles a usam mais para aliviar suas angústias existenciais. Não fosse assim, elas não atrairiam tantas pessoas.    Todavia, nem tudo o que dá prazer é saudável e recomendável. O que devemos ver, o que devemos contar aos jovens, são as conseqüências físicas e psicológicas que seu uso acarreta. Imagine uma pessoa no topo de um edifício, com vontade de saltar lá de cima como se fosse uma ave, para experimentar a liberdade. Por alguns segundos ela poderá sentir algum tipo de prazer, porém, ao término de sua curta viagem, sofrerá o impacto com o solo. Isto não é prazer, mas suicídio ! "

23/Outubro

"Não importa se as drogas produzem ou não prazer, se proporcionam viagens curtas ou longas, suas conseqüências, especialmente quando se constrói uma representação doentia no inconsciente, são sempre destrutivas.
    Não usar drogas não é suficiente para tornar uma pessoa segura, livre, lúcida e empreendedora, pois para alcançar tais características é necessário desenvolver as funções mais importantes da inteligência. Não usar drogas, portanto, não quer dizer viver uma bela primavera, entretanto, manter um 'romance' com elas certamente significará viver num longo e rigoroso inverno existencial.

    Precisamos usar o máximo de criatividade e inteligência para podermos realizar uma prevenção eficiente, e assim, evitar que muitos caiam nesse fosso emocional. A educação escolar pode dar uma excelente contribuição nesse processo; todavia e infelizmente, ela tem sido ineficiente."

24/Outubro

 A EDUCAÇÃO PRECISA PASSAR POR UMA REVOLUÇÃO
  

    "Tenho dado conferências e cursos a centenas de educadores, por isso tenho sentido de perto o caos que está a Educação. A Educação, no mundo inteiro, está passando por crises. Estamos formando homens cultos, mas não homens que pensam. Estamos formando homens que dão respostas ao mercado, mas não homens maduros, completos, que sabem se interiorizar, pensar antes de reagir, expor e não impor as suas idéias, trabalhar em equipe, que amam a solidariedade, que sabem se colocar no lugar do outro."

25/Outubro

"A crise educacional me motivou a fazer uma ampla pesquisa no País sobre a qualidade de vida dos educadores e dos alunos, bem como sobre a qualidade da educação social. O início foi no começo do ano 2000 com educadores de centenas de escolas. Nesta pesquisa, investigo os sintomas psíquicos e psicossomáticos, os níveis de estresse, as causas psíquicas e sociais, a relação professor/aluno, professor/escola, aluno/escola e a qualidade da educação social ligada à prevenção de drogas, AIDS e educação sexual. Os dados iniciais relativos à prevenção do uso de drogas são até chocantes.

    Perguntei aos educadores: O que você acha da prevenção de drogas na sua escola ?

Prevenção Deficiente: 89,1        Prevenção Eficiente: 10,9 %.

     Os números de fato são alarmantes. Apesar de a Educação ter professores ilustres, ela é ineficiente na prevenção do mais grave problema social da atualidade. Grande parte dos professores declarou com honestidade que a educação social está falida, e isto não só em relação à prevenção de drogas."

28/Outubro

"O que os nossos alunos estão aprendendo ao longo de sua história educacional ? Estão aprendendo Matemática, Física, Química, Biologia, mas não estão aprendendo a viver, a proteger suas emoções e a desenvolver a arte de pensar. A Educação precisa passar por uma revolução. Os professores deveriam ser treinados e equipados para poder atuar no campo da prevenção e da qualidade de vida dos alunos. Deveriam ser mais bem remunerados para terem uma vida digna e menos estafante. Educar é uma das tarefas mais prazerosas, mas também uma das mais desgastantes da inteligência.
 

Os dados iniciais da qualidade de vida dos educadores mostram que eles são verdadeiros heróis anônimos. Muitos estão tão estressados que não têm nenhuma condição de dar aula, mas ainda assim, por amor à profissão e pelo prazer poético de ensinar, estão em plena atividade. A quantidade de sintomas psíquicos e psicossomáticos que a classe dos educadores está experimentando é enorme, tais como insônia, desmotivação, cansaço físico exagerado, humor deprimido, hiper-aceleração de pensamentos, ansiedade, cefaléia, vertigem (tontura)."

29/Outubro

"A educação social fica difícil de ser realizada não apenas pelos problemas propriamente ligados à escola, como também pelos problemas ligados à personalidade dos alunos e pela qualidade de vida debilitada dos educadores. Grande parte dos alunos só se preocupam com o prazer imediato, estão alienados socialmente e não pensam no futuro nem nas conseqüências do seu comportamento. Os resultados disso ? Um dos mais graves é que a sala de aula se torna muitas vezes uma verdadeira praça de guerra e não um canteiro de inteligência ou um ambiente de prazer.
 
Professores e alunos estão em mundos diferentes, com objetivos distintos. De um lado, estão os professores querendo ensinar e de outro, estão os alunos, cuja maioria, com as devidas exceções, não tem, como Platão proclamava, o deleite pelo conhecimento, o prazer de aprender. Na época de Platão, o mestre era quase que exclusivamente a única fonte do conhecimento. Hoje, as fontes multiplicaram-se. Os professores são apenas uma fonte a mais. Eles, aos olhos dos alunos, se tornaram pessoas desinteressantes, que não conseguem competir com a TV, com a Internet e outros meios de comunicação. Tenho repetido que a psicopedagogia escolar precisa passar por uma verdadeira reviravolta para que os professores conquistem novamente o status de mestres.
 

Se já é difícil ensinar as matérias clássicas, exteriores à vida dos alunos, imagine como não seria difícil ensinar matérias que os estimulem a pensar, a rever suas rotas de vida, a lidar com suas emoções ! Por isso, diante da crise educacional atual, a prevenção de doenças psicossociais, como a produzida pelas drogas, tem sido mínima."

30/Outubro

"Todos os dias, milhares de jovens estão iniciando o uso de drogas e muitos deles ficarão dependentes e terão o curso de suas vidas totalmente alterado. Como os alunos desenvolverão uma personalidade saudável se eles só conseguem olhar o mundo com seus próprios olhos, se não conseguem se colocar no lugar do outro e não têm o mínimo de defesa emocional contra as doenças que confinam a inteligência num cárcere ?

Se melhorarmos a qualidade de vida dos educadores, treinando-os para que conheçam o funcionamento da mente e sejam capazes de estimular as funções mais importantes da inteligência dos alunos, será possível reverter este quadro. Todavia, se não o revertermos, as sociedades modernas se tornarão uma fábrica, cada vez maior, de doenças psíquicas."

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