PENSAMENTO DO DIA
PENSAMENTOS e FILOSOFIA

JANEIRO de 2006


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01/Janeiro/2006:

“ A NOSSA MENSAGEM DE UM MAGNÍFICO 2006 ”

“ Mais um ano se finda...
2005, com todas as suas mazelas e parcas alegrias, se encontra no estertor...
Um ano onde pudemos assistir e apreciar, estarrecidos, em todos os rincões deste país, a real falta de caráter que 'pulula' nos bastidores do poder, seja municipal, estadual ou federal, no executivo, no legislativo e até mesmo no judiciário... poder onde o cinismo e a hipocrisia, aliados à mentira e perversidade, ainda dominam, tentando de todas as maneiras distorcer a VERDADE, trocando-a pela MENTIRA ACEITÁVEL aos olhos do povo... procurando iludi-lo ainda uma vez... e mais outra...

Entretanto, tivemos também grandes alegrias, ora vendo a cassação pública de alguns desses corruptos, que esperamos continue em 2006, varrendo pelo menos alguns desses abutres que se locupletam às custas do estado, outra vez vendo o nosso povo declarar a sua Segunda Independência, diante do hipócrita 'Referendo do Desarmamento', dizendo um sonoro NÃO em UNÍSSONO, de norte a sul deste país, ao governo, à grande mídia e à autoridades religiosas... um magnífico momento de verdadeira democracia, onde um povo normalmente submisso e conduzido, levantou-se em coro para declarar a sua liberdade de pensar e agir, momento que nos encheu de alegria, acalentando a nossa combalida capacidade de acreditar em tempos melhores!!!

Neste projeto, o Portal Nosso São Paulo, também vivemos algumas alegrias, vendo aumentar o número de acessos, que bateu vários recordes, vendo a chegada de novos colaboradores, que aqui colocaram seus artigos e novos modos de pensar, ou mesmo quadruplicando os nossos serviços à comunidade paulista, brasileira e até internacional, através do encaminhamento das suas dúvidas aos poderes constituídos e entidades das cidades paulistas, cujas páginas lançadas neste projeto também aumentaram bastante, chegando hoje a mais de oitenta... Todavia, paralelo a estas alegrias, também tivemos muitas tristezas, principalmente pela total falta de apoio financeiro dos empresários contactados por nossas campanhas, públicos e privados, que sempre receberam com extrema frieza os nossos convites, muitas vezes nem mesmo dignando-se a nos responder com um NÃO, o que obrigou a que continuássemos a custear sós este grande projeto da internet paulista e brasileira, focado na inclusão digital das cidades do Estado de São Paulo e de cunho eminentemente educacional e cultural !!!

Duante todo o ano de 2005, continuamos a publicar em português, com grande prazer, a maior parte dos pronunciamentos oficiais do Secretário Geral da ONU, Sr. Kofi Annan, os quais mantemos na página NOVIDADES, com muito carinho, pela sua grande importância à vida de todos os povos do planeta. Acompanhamos também a Segunda Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação, ocorrida entre 16 e 18 de Novembro, diretamente de Túnis-Tunísia, apontando os LINKs da ONU e ITU, para que os internautas pudessem acompanhar, ao vivo, as sessões, os pronunciamentos e os debates deste importantíssimo evento mundial, não somente para a área da tecnologia, mas principalmente para a melhora da qualidade de vida dos seres humanos na nossa Terra !!!

Ademais, neste mês de dezembro, tivemos ainda uma grata experiência, dando foco especial, tanto nos pensamentos como nas poesias, a temas natalinos alusivos ao nosso Mestre Maior: JESUS, o excelso Governador deste Planeta e nosso 'Caminho, Verdade e Vida' !!! Esperamos que todos possam ter assimilado, ao menos em parte, essas importantes reflexões, um verdadeiro luzeiro para as nossas vidas.

Desta forma, encerramos este ano com a nossa consciência totalmente tranqüila, com a certeza de havermos feito o melhor, dentro de nossas estritas possibilidades e limitações, sem nos afastar do lema, 'Verdade, Seriedade e Honestidade', visando levar aos internautas paulistas, brasileiros e do exterior, uma NOVA VISÃO acerca das possibilidades da INTERNET, uma tecnologia que pode e deve servir à EDUCAÇÃO, à INFORMAÇÃO e EXPRESSÃO, verdadeiramente democrática, onde pensamentos contraditórios tenham espaço, uma tecnologia que pode e deve transmitir CULTURA ao povo, que pode UNIR realmente as pessoas, muito mais do que resumir-se à ganância dos e-commerce, à espionagem e invasão de privacidade de todos os matizes, aos 'bate-papos ocos' e ao estabelecimento de comunidades virtuais, a maioria sem quaisquer propósitos úteis...

Neste momento solene, quando nos despedimos do ANO 2005 e já saudamos o ANO 2006, desejamos a todos os amigos, amigas e familiares, UM MAGNÍFICO ANO NOVO, com muita verdade, honestidade, saúde, dinheiro, PAZ e AMOR ao PRÓXIMO e que consigamos, desde o seu primeiro minuto, colaborar através de nossa reforma íntima, para a construção de uma pessoa melhor, de um lar melhor, de uma cidade melhor, de um estado melhor e de um BRASIL melhor, pilares para o NOVO MUNDO que tanto sonhamos, para nós e para as futuras gerações, onde a verdadeira FELICIDADE seja realidade e não mais um sonho neste maravilhoso Planeta Azul !!!”

( Eng. Celio Franco - Gestor NSP - Biografia - 1959 / **** )
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11/Janeiro/2006:

“ CERTAS ESPERANÇAS ”

“ É preciso — é mais do que preciso, é forçoso — dar boas festas, trocar embrulhinhos, querer mais intensamente, oferecer com mais prodigalidade, manter o sorriso e, acima de tudo, esquecer tristezas e saudades.

Façamos um supremo esforço para lembrar e sermos lembrados, porque assim manda a tradição e é difícil esquecer à tradição. Enviemos cartões e telegramas de felicitações àqueles que amamos e também àqueles que — sabemos perfeitamente — não gostam da gente. O Correio, nesta época do ano, finge-se de eficiente e já lá tem prontos impressos para que desejemos coisas boas aos outros, nivelando a todos em nossos augúrios.

Depois de abraçar e ser abraçado, desejar sincera e indiferentemente, embrulhar e desembrulhar presentes, cada um poderá fazer votos a si mesmo, desejar para si o que bem entender. Subindo na escala das idades, este sonhou todo o mês com um trenzinho elétrico, aquele com uma bicicleta (com farol e tudo), o outro certa moça, mais além um quarto sonhador esteve a remoer a idéia de ser ministro e o rico... bem, o rico só pensa em ser mais rico. O rico detesta amistosamente os ministros, já não tem olhos para a graça da moça, pernas para pedalar uma bicicleta e, muito menos, tempo para brincar com um trenzinho.

Dos planos de cada um, pouquíssimos serão transformados em realidade. Alguns hão de abandoná-los por desleixo e a maioria, mal o ano de 56 começar, não pensará mais nele, por pura desesperança. O melhor, portanto, é não fazer planos. Desejar somente, posto que isso sim, é humano e acalentador.

De minha parte estou disposto a esquecer todas as passadas amarguras, tudo que o destino me arranjou de ruim neste ano que finda. Ficarei somente com as lembranças do que me foi grato e me foi bom.

No mais, desejarei ficar como estou porque, se não é o que há de melhor, também não é tão ruim assim e, tudo somado, ficaram gratas alegrias. Que Deus me proporcione as coisas que sempre me foram gratas e que — Ele sabe — não chegam a fazer de mim um ambicioso.

Que não me falte aquele almoço honesto dos sábados (único almoço comível na semana), com aquele feijão que só a negra Almira sabe fazer; que não me falte o arroz e a cerveja — é muito importante a cerveja, meu Deus! —, como é importante manter em dia o ordenado da Almira.

Se não me for dado comparecer às grandes noites de gala, que fazer? Resta-me o melhor, afinal, que é esticar de vez em quando por aí, transformando em festa uma noite que poderia ser de sono.

E para os pequenos gostos pessoais, que me reste sensibilidade bastante para entretê-las. Ai de mim se começo a não achar mais graça nos pequenos gostos pessoais. Que o perfume do sabonete, no banho matinal, seja sempre violeta; que haja um cigarro forte para depois do café; uma camisa limpa para vestir; um terno que pode não ser novo, mas que também não esteja amarrotado. Uma vez ou outra, acredito que não me fará mal um filme da Lollobrigida, nem um uísque com gelo ou — digamos — uma valsa.

Nada de coisas impossíveis para que a vida possa ser mais bem vivida. Apenas uma praia para janeiro, uma fantasia para fevereiro, um conhaque para junho, um livro para agosto e as mesmas vontades para dezembro.

No mais, continuarei a manter certas esperanças inconfessáveis porém passíveis — e quanto — de acontecerem.”

( Stanislaw Ponte Preta - Sérgio Porto - 1923 /1968 )
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12/Janeiro/2006:

“ DAS VINHAS AOS VINHOS ”

“ 'E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?' Esses versos são frutos do talento, e da sensibilidade, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), inesquecível poeta brasileiro, nascido na cidade mineira de Itabira do Mato Dentro. E agora, José? Esta é a indagação que cada um de nós deve fazer, à si próprio, para transformar as saudações de próspero ano novo em realidade. Devemos desenvolver planos de ação para a concretização das nossas metas, desejos e até de nossos sonhos. As manifestações de amizade, de carinho e de responsabilidade social que semeamos, nas festas de final de ano, são compromissos que assumimos. Os desafios permanecem aí, a espera da nossa ousadia, criatividade, determinação, respeito ao ser humano e ao meio ambiente.

Com o verão dando as boas vindas ao ano novo, a incorrigível alegria do povo brasileiro apresenta-se como anfitriã perfeita do fomento de um dos mais promissores segmentos da economia mundial - o turismo – fonte de divisas e de geração de empregos. Dentre as alternativas da indústria de entretenimento, a nossa reflexão vai para o ecoturismo – polinização da cultura ambiental. O aumento da rentabilidade das pequenas propriedades rurais é fruto do valor agregado em atividades complementares. Do cafezal ao cafezinho, do trigal ao desjejum colonial ou das vinhas aos vinhos, descortina-se uma paisagem sedutora aos que cultivam o estressante estilo de vida urbano.

Cidades que produzem uva e vinho colhem o privilégio de tornarem-se autênticas grifes mundiais pela qualificação do sabor, aroma, cor e valor de seus produtos. Noé, o da Arca, é citado em Gênesis (9, 20) sobre uva e no mesmo livro (9, 21), sobre o vinho. Além dessas citações, há muitas outras destacando esses produtos na Bíblia e, naturalmente, em outros livros que relatam a milenar caminhada da humanidade. Relíquias históricas provam que o trigo e a videira são cultivados desde tempos imemoráveis. Não foi por acaso que o pão e o vinho foram escolhidos por Jesus Cristo (Ceia do Senhor) como símbolos vivos da sua missão divina aqui na terra.

O solo, o clima e o manejo, revestem a uva e, por conseqüência o vinho, de uma nobreza laboral, social, cultural e até religiosa, capaz de abrir excelentes oportunidades comerciais. Os imigrantes italianos trouxeram para o nosso pais a experiência do plantio da uva, do processo da fabricação do vinho e de tantos outros derivados enriquecidos de tradições, usos e costumes, ainda hoje preservados por famílias que vivem no campo.

Lembranças da pátria distante, comida caseira, música típica, exposição, artesanato, contato com a flora e a fauna e atividades recreativas podem retratar um cenário de encantamento aos turistas. Com extensão continental, o Brasil pode fazer do agronegócio, das suas belezas naturais, da magia do seu futebol, da maior ópera de rua do planeta - o carnaval brasileiro - e da singular hospitalidade de seu povo, uma fantástica 'cruzada de marketing' capaz de incrementar o turismo e alavancar as exportações. Lembrete: vamos explorar o turismo, não os turistas.

O acirramento da concorrência globalizada e o maior grau de exigência de clientes e consumidores, motivaram as empresas a consolidar políticas estratégicas de melhoria contínua de seus processos operacionais e de capacitação de seus recursos humanos. Como, hoje, o indispensável diploma universitário tem se mostrado insuficiente, para uma bela carreira sustentável, temos que sistematicamente agregar competências técnicas, aprimorar habilidades de relações interpessoais e preservar a conduta ética – diferenças que fazem a diferença – no disputadíssimo mercado de trabalho. Concluímos que a safra mais famosa de empreendedores é reconhecida pela 'beleza de ser um eterno aprendiz'. ”

( Faustino Vicente - Biografia - 1935 / **** )
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13/Janeiro/2006:

“ O APRENDIZADO HUMANO”

“ Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes. ”

( Albert Schweitzer - Biografia - 1875 / 1965 )
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16/Janeiro/2006:

“ PRIVILEGIADOS PRESIDENCIÁVEIS ”

“ O Brasil suporta, há muito tempo, a mesma corrente ideológica, pois políticos que se denominam de esquerda, direita e centro, na verdade são iguais... Quando eleitos, direcionam o governo para atender os interesses daqueles que os patrocinam, ou seja, eternos submissos e dependentes do capitalismo.

Cumpre também observar que, com a aproximação das eleições, vão surgindo os candidatos e, esses, são sempre os mesmos !!! Assim, os problemas afetos à sociedade ficam sempre a margem daquilo que poderíamos denominar 'Compromisso Público'; obviamente, o que mais se denota nos presidenciáveis é que são homens que não têm palavra. Desta feita, uma coisa é certa, jamais haverá mudanças, pois os presidenciáveis atendem à mesma 'filosofia'. Senão, vejamos apenas um parágrafo do artigo de Mauro Chaves – O Estado de São Paulo:

'Com certeza, se FHC soubesse que se daria tão bem em sua função de ex-presidente, ter-se-ia empenhado mais, na última eleição presidencial, em favor do candidato de seu partido, José Serra - e não se mostraria tão eufórico com a vitória de Lula, por saber que adquirira, com a eleição do petista, melhores condições de voltar ao poder. Mas, ao conhecer, hoje, todo o sabor da amena (e opulenta) ex-presidencialidade, pela cabeça de FHC não passa mais ambição alguma de participar de eleições como candidato. No máximo, participará como poderoso eleitor. Agora, se FHC conseguisse transmitir a Lula, hoje, todo o prazer de seu desfrute ex-presidencial, até a primeira dama, dona Marisa, convenceria suas amigas a colocar em seus carros um adesivo com o slogan: 'Lula para ex-presidente'. Talvez Lula não consiga, como ex-presidente, ganhar os cerca de R$ 150 mil que FHC cobra por palestra - mas conseguirá, pelo menos, uns R$ 30 mil. E os dois ex-presidentes, que sempre se deram bem, pessoalmente, até poderiam inovar, fazendo palestras em dupla - numa demonstração do vigor da pluralidade democrática brasileira. Nesse caso, FHC lucraria, por contar com a abertura de portas no Terceiro Mundo, enquanto Lula lucraria com a elevação de status da palestra e um possível cachê duplo - a ser rachado entre os dois excelentes ex-presidentes'.

Por conseguinte, poderíamos sugerir aos órgãos de imprensa que elaborassem uma pesquisa onde o objetivo seria conduzir as 'autoridades' ao debate e, conseqüentemente, provocar novas tendências, o que também proporcionaria alguma expectativa quanto a melhor condição de vida dos brasileiros.

Os brasileiros carecem de um governo que tenha credibilidade. Num país continental não podemos permitir que o desenvolvimento continue preso a essa teia, construída por um pequeno grupo de 'aranhas' que capturam o futuro do Brasil... Desculpem-me os aracnídeos que desenvolvem função importantíssima e contribuem para o equilíbrio da vida na natureza... Será que num país imenso como o nosso, ninguém mais, que tenha credibilidade, pode ou quer se candidatar a presidente?

Concluindo, será que num país com quase duzentos milhões de brasileiros (as) ficaremos limitados à meia dúzia de privilegiados presidenciáveis?
Com todo o respeito aos nutritivos tubérculos
: somos homens ou sacos de batatas !!! ”

( Jorge Gerônimo Hipólito - Biografia - 1952 / **** )
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17/Janeiro/2006:

“ BURRICE HOMÉRICA ”

“ Burrice Homérica é uma expressão que aprendi há muito tempo e que significa que alguém, ou alguma entidade, cometeu um grave erro de avaliação, uma ignorância, falta de lógica, ou uma burrice mesmo, muito acima do que seria razoável admitir.

Conforme o que li nos jornais, se é que entendi corretamente, a cobrança do uso do telefone vai ser mais barato para quem fizer uma ligação de pouco tempo e muito mais cara se a ligação for demorada... Indo para um entendimento mais fácil e comum no dia a dia das pessoas: se comprarmos 100 (cem) quilos de feijão, cada quilo vai custar mais caro do que se comprarmos apenas 1(um) quilo...

Acho que o autor desta brilhante idéia mandou para o espaço a invenção de Graham Bell (na verdade, roubada do italiano Antonio Meucci ...), idealizada para permitir a conversa entre as pessoas, à distancia, sem que precisassem pegar um transporte. Agora, quem quiser trocar idéias sobre futebol ou sobre negócios com um amigo, ou quiser conversar com a namorada, parece que vai ser mais barato pegar um táxi, ou ter que sair de casa mesmo que esteja com febre...

Já me decidi: se a conta de telefone daqui de casa subir muito, cancelo a conta, pois não vou deixar que ganhem mais dinheiro às minhas custas. Não pretendo compactuar com esta BURRICE HOMÉRICA, ou quem sabe mais uma grande ESPERTEZA..., desta quadrilha que se apossou do Brasil e que, felizmente, com a Graça de Deus, estará de saída este ano...”

( Cel. Bayma Kerth - Biografia - ****/ **** )
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18/Janeiro/2006:

“ A TERRA GIRA ”

“ Em uma coisa os bêbados e os geógrafos têm razão: a Terra gira...”

( Jô Soares - Biografia - 1938/ **** )
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19/Janeiro/2006:

“ VIVER PARA OS OUTROS ”

“ Viver para os outros não é somente a lei do dever, mas também a da felicidade. ”

( Auguste Comte - Biografia - 1798/1857 )
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20/Janeiro/2006:

“ A GLOBALIZAÇÃO - 1 ”

“ A globalização, parafraseando o compositor Lenine, é a face suprema do imperialismo. A humanidade esperou milênios para se globalizar, o que não aconteceu antes porque não havia as condições materiais necessárias. Com o aumento da produção e o desenvolvimento de técnicas avançadas, um pequeno grupo de empresas as seqüestrou. As corporações usam estes recursos extraordinários em seu próprio benefício e em prejuízo da humanidade. ”

( Prof. Milton Santos - Biografia - 1926/2001 )
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23/Janeiro/2006:

“ ESQUERDA x DIREITA”

“ Uma das características da esquerda é, e sempre foi, a de acreditar que o homem é perfectível, pode ser aperfeiçoado. Que o homem não é ruim por natureza, que é possível que socialmente ele possa viver de maneira harmônica, estável. A direita, por sua vez, é ruim mesmo. Faz com que o homem só pense em si, defenda seu interesse, por mais mesquinho que seja, acima de qualquer outra coisa. Essa é a verdadeira lei do mundo: primeiro o meu, o resto que se dane. ”

( João Ubaldo Ribeiro - Biografia - 1941/**** )
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24/Janeiro/2006:

“ PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO ¹
- Paulicéia Desvairada - 1ª Parte -

"Dans mon pays de fiel et d'or j'en suis la loi."² (E. Verhaeren)

Leitor: Está fundado o Desvairismo.

Este prefácio, apesar de interessante, inútil...

Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou.

Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste prefácio interessantíssimo.

Aliás, muito difícil nesta prosa saber onde termina a blague, onde principia a seriedade. Nem eu sei.

E desculpe-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita si pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem.

Livro evidentemente impressionista. Ora, segundo modernos, erro grave o Impressionismo. Os arquitetos fogem do gótico como da arte nova, filiando-se, para além dos tempos históricos, nos volumes elementares: cubo, esfera, etc. Os pintores desdenham Delacroix como Whistler, para apoiarem na calma construtiva de Rafael, de Ingres, do Grecco. Na escultura Rodin é ruim, os imaginários africanos são bons. Os músicos desprezam Debussy, genuflexos diante da polifonia catedralesca de Palestrina e João Sebastião Bach. A poesia... "tende a despojar o homem de todos os seus aspectos contingentes e efêmeros, para apanhar nele a humanidade..." Sou passadista, confesso.

"Este Alcorão nada mais é que uma embrulhada de sonhos confusos e incoerentes. Não é inspiração provinda de Deus, mas criada pelo autor. Maomé não é profeta, é um homem que faz versos. Que se apresente com algum sinal revelador do seu destino, como os antigos profetas." Talvez digam de mim o que disseram do criador de Alá. Diferença cabal entre nós dois: Maomé apresentava-se como profeta; julguei mais conveniente apresentar-me como louco.

Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé? Verhaeren?

Perto de dez anos metrifiquei, rimei. Exemplo?

ARTISTA

O meu desejo é ser pintor - Lionardo,
Cujo ideal em piedades se acrisola;
Fazendo abrir-se a mundo a ampla corola
do sonho ilustre que em meu peito guardo...

Meu anseio é, trazendo ao fundo pardo
da vida, a cor da veneziana escola,
dar tons de rosa e de ouro, por esmola,
a quanto houver de penedia ou cardo.

Quando encontrar o manancial das tintas
e os pincéis exaltados com que pintas,
Veronese! teus quadros e teus frisos,
irei morar onde as Desgraças moram;
e viverei de colorir sorrisos
nos lábios dos que imprecam ou que choram!

Os Srs. Laurindo de Brito, Martins Fontes, Paulo Setúbal, embora não tenham evidentemente a envergadura de Vicente de Carvalho ou de Francisca Júlia, publicam seus versos. E fazem muito bem. Podia, como eles, publicar meus versos metrificados.

Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que discutiriam minhas idéias (que nem são minhas): discutiram minhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizariam meu silêncio como esta grita. Andarei a vida de braços no ar, como o "Indiferente" de Watteau.

"Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia citada) não compreenderam logo. Creio mesmo que é impossível compreender inteiramente à primeira leitura pensamentos assim esquematizados sem uma certa prática. Nem é nisso que um poeta pode queixar-se dos seus leitores. No que estes se tornam condenáveis é em não pensar que um autor que assina não escreve asnidades pelo simples prazer de experimentar tinta; e que, sob essa extravagância aparente havia um sentido porventura interessantíssimo, que havia qualquer coisa por compreender." João Epstein.

Há neste mundo um senhor chamado Zdislas Milner. Entretanto escreveu isto: "O fato duma obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor". Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não há pai que, sendo pai, abandone seu filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do vizinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. (continua ... 2ª Parte... )”

(1) "No meu país de fel e de ouro, eu sou a lei", em francês
(2) Introdução à Paulicéia Desvairada, primeiro livro de poesias gerado em torno da Semana de Arte Moderna. Trata-se de uma espécie de manifesto, que de maneira irônica, teoriza sobre a nova estética apresentada no livro.

( Mário de Andrade - Biografia - 1893/1945 )
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25/Janeiro/2006:

“ PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO ¹
- Paulicéia Desvairada - 2ª Parte -

“(...) Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade também.

Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres.

O ridículo é muitas vezes subjetivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre. Criamo-lo para vestir com ele quem fere nosso orgulho, ignorância, esterilidade.

Um pouco de teoria? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. Entroncamento é sueto para os condenados da prisão alexandrina. Há porém raro exemplo dele neste livro. Uso de cachimbo...

A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer impecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia, não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisá-lo das pedras e cercas de arame do caminho. Deixe que tropece, caia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades românticas, de pormenores inúteis ou inexpressivos.

Que Arte não seja porém limpar versos de exageros coloridos. Exagero: símbolo sempre novo da vida como do sonho. Por ele vida e sonho se irmanaram. E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão.

"O vento senta no ombro das tuas velas!" Shakespeare. Homero já escrevera que a terra mugia debaixo dos pés de homens e cavalos. Mas você deve saber que há milhões de exageros na obra dos mestres.

Taine disse que o ideal dum artista consiste em "apresentar, mais que os próprios objetos, completa e claramente qualquer característica essencial e saliente das relações naturais entre as suas partes, de modo a tornar essa característica mais visível e dominadora". O Sr. Luís Carlos, porém, reconheço que tem o direito de citar o mesmo em defesa das suas "Colunas".

Já raciocinou sobre o chamado belo horrível, é pena. O belo horrível é uma escapatória criada pela dimensão da orelha de certo filósofos para justificar a atração exercida, em todos os tempos, pelo feio sobre os artistas. Não me venham dizer que o artista, reproduzindo o feio, o horrível, faz obra bela. Chamar de belo o que é feio, horrível, só porque está expressado com grandeza, comoção, arte, é desvirtuar ou desconhecer o conceito de beleza. Mas feio = pecado... Atrai. Anita Malfatti falava-me outro dia no encanto sempre novo do feio. Ora Anita Malfati ainda não leu Emílio Bayard: "O fim lógico dum quadro é ser agradável de ver. Todavia comprazem-se os artistas em exprimir o singular encanto da feiúra. O artista sublima tudo".

Belo da arte: arbitrário, convencional, transitório - questão de moda. Belo da natureza: imutável, o objetivo, natural - tem a eternidade que a natureza tiver. Arte não consegue reproduzir natureza, nem este é seu fim. Todos os grandes artistas, ora consciente ( Rafael das Madonas, Rodin do Balzac, Beetjoven da Pastoral Machado de Assis do Brás Cubas), ora inconscientemente (a grande maioria), foram deformadores da natureza. Donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico, tanto mais subjetivo quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram o que quiserem. Pouco me importa.

Nossos sentidos são frágeis. A percepções das coisas exteriores é fraca, prejudicada por mil véus, provenientes das nossas taras físicas e morais: doenças, preconceitos, indisposições, antipatias, ignorâncias, hereditariedade, circunstâncias de tempo, de lugar, etc... Só idealmente podemos conhecer os objetos como os atos na sua inteireza bela ou feia. A arte que, mesmo tirando os seus temas do mundo objetivo, desenvolve-se em comparações afastadas, exageradas, sem exatidão aparente, ou indica os objetos, como um universal, sem delimitação qualificativa nenhuma, tem o poder de nos conduzir a essa idealização livre, musical. Esta idealização livre, subjetiva permite criar todo um ambiente de realidades ideais onde sentimentos, seres e coisas, belezas e defeitos se apresentam na sua plenitude heróica, que ultrapassa a defeituosas percepção dos sentidos. Não sei que futurismo pode existir em quem quase perfilha a concepção estética de Fichte. Fujamos da natureza! Só assim a arte não se ressentirá da ridícula fraqueza da fotografia... colorida.

Não acho mais graça nenhuma nisso da gente submeter comoções a um leito de Procusto para que obtenham, em ritmo convencional, número convencional de sílabas. Já, primeiro livro, usei indiferentemente, sem obrigação de retorno periódico, os diversos metros pares. Agora liberto-me também desse preconceito. Adquiro outros. Razão para que me insultem?

Mas não desenho baloiços dançarinos de redondilhas e decassílabos. Acontece a comoção caber neles. Entram pois às vezes no cabaré rítmico dos meus versos. Nesta questão de metros não sou aliado; sou como a Argentina: enriqueço-me.

Sobre a ordem? Repugna-me, com efeito, o que Musset chamou: "L'art de servir à point un dénouement bien cuit".

Existe a ordem dos colegiais infantes que saem das escolas de mãos dadas, dois a dois. Existe uma ordem nos estudantes das escolas superiores que descem uma escada de quatro em quatro degraus, chocando-se lindamente. Existe uma ordem, inda mais alta, na fúria desencadeada dos elementos.

Quem leciona história no Brasil obedecerá a uma ordem que, certo, não consiste em estudar a Guerra do Paraguai antes do ilustre acaso de Pedro Álvares. Quem canta seu subconsciente seguirá a ordem imprevista das comoções, das associações de imagens, dos contactos exteriores. Acontece que o tema às vezes descaminha. (continua ... 3ª Parte... )”

( Mário de Andrade - Biografia - 1893/1945 )
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26/Janeiro/2006:

“ PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO ¹
- Paulicéia Desvairada - 3ª Parte -

“(...) O impulso lírico clama dentro de nós como turba enfuriada. Seria engraçadíssimo que a esta se dissesse: "Alto lá! Cada qual berre por sua vez; e quem tiver o argumento mais forte, guarde-o para o fim!" A turba é confusão aparente. Quem souber afastar-se idealmente dela, verá o imponente desenvolver-se dessa alma coletiva, falando a retórica exata das reivindicações.

Minhas reinvindicações? Liberdade. Uso dela; não abuso. Sei embridá-la nas minhas verdades filosóficas e religiosas; porque verdades filosóficas, religiosas, não são convencionais como a Arte, são verdades. Tanto Não abuso! Não pretendo obrigar ninguém a seguir-me. Costumo andar sozinho.

Virgílio, Homero, não usaram rima. Virgílio, Homero, têm assonâncias admiráveis.

A língua brasileira é das mais ricas e sonoras. E possui o admirabilíssimo "ão".

Marinetti foi grande quando redescobriu o poder sugestivo, associativo, simbólico, universal, musical da palavra em liberdade. Aliás: velha como Adão. Marinetti errou: fez dela um sistema. É apenas auxiliar poderosíssimo. Uso palavras em liberdade. Sinto que o meu copo é grande demais para mim, e ainda bebo no copo dos outros.

Sei construir teorias engenhosas. Quer ver? A poética está muito mais atrasada que a música. Esta abandonou, talvez mesmo antes do século 8, o regime da melodia quando muito oitavada, para enriquecer-se com os infinitos recursos da harmonia. A poética, com rara exceção até meados do século 19 francês, foi essencialmente melódica. Chamo de verso melódico o mesmo que melodia musical: arabesco horizontal de vozes (sons) consecutivas, contendo pensamento inteligível.

Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horizontais: "Mnezarete, a divina, a pálida Finéias comparece ante a austera e rígida assembléia do Areópago supremo...", fizermos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato mesmo de se não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras, para a nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias. Explico milhor: Harmonia: combinação dos sons simultâneos. Exemplo: "Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas,,, Povoar!..." Estas palavras não se ligam. Não formam enumeração. Cada uma é frase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico. Si pronuncio "Arroubos", como não faz parte de frase (melodia), a palavra chama a atenção para seu insulamento e ficava vibrando, à espera duma frase que lhe faça adquirir significado e QUE NÃO VEM. "Lutas" não dá conclusão alguma a "Arroubos"; e , nas mesmas condições, não fazendo esquecer a primeira palavra, fica vibrando com ela. As outras vozes fazem o mesmo. Assim: em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde arpejado, harmonia, - o verso harmônico. Mas si em vez de usar só palavras soltas, uso frases soltas: mesma sensação de superposição, não já de palavras (notas) mas de frases (melodias). Portanto : polifonia poética. Assim, em "Paulicéia Desvairada" usam-se o verso melódico: "São Paulo é um palco de bailados russos"; o verso harmônico: "A cainçalha ... A Bolsa... As jogatinas..."; e a polifonia poética (um e às vezes dois e mesmo mais versos consecutivos): "A engrenagem trepida... A bruma neva..." Que tal? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí.

Para juntar à teoria:

1.º

Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exclamou depois de ouvir o quarteto do Rigoleto: "Façam que possa combinar simultaneamente várias frases e verão de que sou capaz". Encontro anedota em Galli, Estética Musical. Se non é vero...

2.º

Há certas figuras de retórica em que podemos ver embrião da harmonia oral, como na lição das sinfonias de Pitágoras encontramos germe da harmonia musical. Antítese - genuína dissonância. E si tão apreciada é justo porque poetas como músicos, sempre sentiram o grande encanto da dissonância, de que fala G. Migot.

3.º

Comentário à frase de Hugo. Harmonia oral não se realiza, como a musical, nos sentidos, porque palavras não se fundem como sons, antes baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A realização da harmonia poética efetua-se na inteligência. A compreensão das artes do tempo nunca é imediata, mas mediata. Na arte do tempo coordenamos atos de memória consecutivos, que assimilamos num todo final. Este todo, resultante de estados de consciência sucessivos, dá a compreensão final, completa da música, poesia, dança terminada. Victor Hugo errou querendo realizar objetivamente o que se realiza subjetivamente, dentro de nós.

4.º

Os psicólogos não admitirão a teoria... É responder-lhes com o "Só-que-ama"de Bilac. Ou com os versos de Heine de que Bilac tirou o "Só-quem-ama". Entretanto: si você já teve por acaso na vida um acontecimento forte, imprevisto (já teve, naturalmente), recorde-se do tumulto desordenado das muitas idéias que nesse momento lhe tumultuaram no cérebro. Essas idéias, reduzidas ao mínimo telegráfico da palavras, não se continuavam, porque não faziam parte de frase alguma, não tinham resposta, solução, continuidade. Vibravam, ressoavam, amontoavam-se, sobrepunham-se. Sem ligação, sem concordância aparente - embora nascidas do mesmo acontecimento - formavam, pela sucessão rapidíssima, verdadeira simultaneidade, verdadeiras harmonias acompanhando a melodia energética e larga do acontecimento.

5.º

Bilac, Tarde, é muitas vezes tentativa de harmonia poética. Daí, em parte ao menos, o estilo novo do livro. Descobriu, para a língua brasileira, a harmonia poética, antes dele empregada raramente. (Gonçalves Dias, genialmente, na cena da luta, Y-Juca-Pirama). O defeito de Bilac foi não metodizar o invento; tirar dele todas as conseqüências. Explica-se historicamente seu defeito: Tarde é um apogeu. As decadências não vêm depois dos apogeus. O apogeu já é decadência, porque sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascensional. Bilac representa uma fase destrutiva da poesia; porque toda perfeição em arte significa destruição. Imagino o seu susto, leitor, lendo isto. Não tenho tempo para explicar: estude, si quiser. O nosso primitivismo representa uma nova fase construtiva. A nós compete esquematizar, metodizar as lições do passado. Volto ao poeta. Ele fez como os criadores do Organum medieval: aceitou harmonias de quartas e quintas desprezando terceiras, sextas, todos os demais intervalos. O número das suas harmonias é muito restrito. Assim, "... o ar e o chão, a fauna e a flora, a erva e o pássaro, a pedra e o tronco, os ninhos e a hera, a água e o réptil, a folha e o inseto, a flor e a fera" dá a impressão duma longa, monótona série de quintas medievais, fastidiosa, excessiva, inútil, incapaz de sugestionar o ouvinte e dar-lhe a sensação do crepúsculo na mata. (continua ... Parte Final... )”

( Mário de Andrade - Biografia - 1893/1945 )
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27/Janeiro/2006:

“ PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO ¹
- Paulicéia Desvairada - Parte Final -

“(...) Lirismo: estado afetivo sublime - vizinho da sublime loucura. Preocupação de métrica e de rima prejudica a naturalidade livre do lirismo objetivado. Por isso poetas sinceros confessam nunca ter escrito seus milhores versos. Rostand por exemplo; e, entre nós, mais ou menos, o Sr. Amadeu Amaral. Tenho a felicidade de escrever meus milhores versos. Melhor do que isso não posso fazer.

Ribot disse algures que inspiração é telegrama cifrado transmitido pela atividade inconsciente à atividade consciente que o traduz. Essa atividade consciente pode ser repartida entre poeta e leitor. Assim aquele não escorcha e esmiúça friamente o momento lírico; e bondosamente concede ao leitor a glória de colaborar nos poemas.

"A linguagem admite a forma que o mármore não admite." Renan.

"Entre o artista plástico e o músico está o poeta, que se avizinha do artista plástico com a sua produção consciente, enquanto atinge as possibilidades do músico no fundo obscuro do inconsciente." De Wagner.

Você está reparando de que maneira costumo andar sozinho...

Dom Lirismo, ao desembarcar do Eldorado do Inconsciente no cais da terra do Consciente, é inspecionado pela visita médica, a Inteligência, que o alimpa dos macaquinhos e de toda e qualquer doença que possa espalhar confusão, obscuridade na terrinha progressista. Dom Lirismo sofre mais uma visita alfandegária, descoberta por Freud, que denominou Censura. Sou contrabandista! E contrário à lei da vacina obrigatória.

Parece que sou todo instinto... Não é verdade. Há no meu livro, e não me desagrada, tendência pronunciadamente intelectualista. Que quer você? Consigo passar minhas sedas sem pagar direitos. Mas é psicologicamente impossível livrar-me da injeções e dos tônicos.

A gramática apareceu depois de organizadas as línguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existência de gramáticas, nem de línguas organizadas. E como Dom Lirismo é contrabandista...

Você perceberá com facilidade que si na minha poesia a gramática às vezes é desprezada, graves insultos não sofre neste prefácio interessantíssimo. Prefácio: rojão do meu eu superior. Versos: paisagem do meu eu profundo.

Pronomes? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia portuguesa é porque, não alterando o resultado, dá-me uma ortografia.

Escrever arte moderna não significa jamais para mim representar a vida atual no que tem de exterior: automóveis, cinema, asfalto. Si estas palavras freqüentam-me o livro não é porque pense com elas escrever moderno, mas porque sendo meu livro moderno, elas têm nele sua razão de ser.

Sei mais que pode ser moderno artista que se inspire na Grécia de Orfeu ou na Lusitânia de Nun' Álvares. Reconheço mais a existência de temas eternos, passíveis de afeiçoar pela modernidade: universo, pátria, amor e a presença-dos-ausentes, ex-gozo-amargo-de-infelizes.

Não quis também tentar primitivismo vesgo e insincero. Somos na realidade os primitivos duma era nova. Esteticamente: fui buscar entre as hipóteses feitas por psicólogos, naturalistas e críticos sobre os primitivos das eras passadas, expressão mais humana e livre da arte.

O passado é lição para se meditar, não para reproduzir. "E tu che sè costí, anima viva, Pártiti da cotesti son morti."

Por muitos anos procurei-me a mim mesmo. Achei. Agora não me digam que ando à procura da originalidade, porque já descobri onde ela estava, pertence-me, é minha.

Quando uma das poesias deste livro foi publicada, muita gente me disse: "Não entendi". Pessoas houve porém que confessaram: "Entendi, mas não senti". Os meus amigos... percebi mais duma vez que sentiam, mas não entendiam. Evidentemente meu livro é bom.

Escritor de nome disse dos meus amigos e de mim que ou éramos gênios ou bestas. Acho que tem razão. Sentimos, tanto eu como meus amigos, o anseio do farol. Si fôssemos tão carneiros a ponto de termos escola coletiva, esta seria por certo o "Farolismo". Nosso desejo: indicaremos o caminho a seguir, bestas: náufragos por evitar.

Canto da minha maneira. Que me importa si me não entendem? Não tenho forças bastantes para me universalizar? Paciência. Como o vário alaúde que construí, me parto por essa selva selvagem da cidade. Como o homem primitivo cantarei a princípio só. Mas canto é agente simpático: faz renascer na alma dum outro predisposto ou apenas sinceramente curioso e livre, o mesmo estado lírico provocado em nós por alegrias, sofrimentos, ideais. Sempre hei de achar também algum, alguma que se embalarão à cadência libertária dos meus versos. Nesse momento: novo Anfião moreno e aixa-d'óculos, farei que as próprias pedras se reunam em muralhas à magia do meu cantar. E dentro dessas esconderemos nossa tribo.

Minha mão escreveu a respeito deste livro que "não tinha e não tem nenhuma intenção de o publicar". Jornal do Comércio, 6 de junho. Leia frase de Gourmont sobre contradição: 1.º volume das "Promenades Littéraires". Rui Barbosa tem sobre ela página lindíssima, não me recordo onde. Há umas palavras também em João Cocteau, "La Noce Massacrée".

Mas todo esse prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma. Quando escrevi "Paulicéia desvairada" não pensei em nada disto. Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei... Eu vivo!

Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia Paisagem n.º 1. Quem não souber urrar não leia Ode ao Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Desprezar: A Escalada. Sofrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço, um dos solos de Minha Loucura, das Enfibraturas do Ipiranga. Não continuo. Repugna-me dar a chave de meu livro. Quem for como eu tem essa chave.

E está acabada a escola poética "Desvairismo".

Próximo livro fundarei outra.

E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só.

Poderia ter citado Gorch Fock. Evitava o Prefácio Interessantíssimo. "Toda canção de liberdade vem do cárcere." ”

( Mário de Andrade - Biografia - 1893/1945 )
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30/Janeiro/2006:

“ A REGRA DE OURO ”

“ A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em nos considerarmos uma grande família humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião. ”

( Mahatma Gandhi - Biografia - 1869/1948 )
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31/Janeiro/2006:

“ ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL ”
- O APARTHEID brasileiro (uma apreciação) -

“ Recentemente, o Senado aprovou um projeto sobre "O Estatuto da Igualdade Racial",
que ora tramita na Câmara dos Deputados para votação.
Se tal projeto for aprovado nas duas Casas, o Brasil perderá a sua condição
histórica de País da Miscigenação e seu povo terá que sufocar a sua alma
nobre no conviver fraterno entre pessoas de diferentes cores raciais, a quem
se imporá a institucionalização de um distanciamento entre si cada vez maior.

Para atendimento no SUS e em todo o Sistema de Saúde,
consideraram-se insuficientes os dados infalíveis e consagrados da
identificação universal das pessoas, para complementá-los com os quesitos
"raça/cor" além do "gênero", como consta no Art. 12; o Art. 17 impõe o mesmo
procedimento com relação aos documentos da Seguridade Social; o Art. 18
determina que a certidão de nascimento contenha a cor do bebê; os
empregadores públicos e privados serão obrigados a incluir o quesito "cor"
em todos os documentos referentes a seus funcionários.

Ora, a cor é o aspecto externo e mutável da pessoa humana e não
serve para sua identificação
, que exige caracteres permanentes. Nem mesmo, a
cor é suficiente para a identificação da raça, o que poderá obrigar os
interessados a recorrerem até aos processos nazistas de identificação racial...

O "Estatuto da Igualdade Social" contém estas e outras
aberrações que, certamente, irão estimular e institucionalizar o ódio entre
as pessoas e grupos de pessoas de 'cores diferentes', o qual, explorado e manipulado por
inescrupulosos, vai favorecer o acirramento de ressentimentos do passado e
gerar o Apartheid brasileiro, pior do que o que já existiu em várias partes do mundo.

O jornalista DEMÉTRIO MAGNOLI, em artigo publicado na FOLHA DE
SÃO PAULO, de 12 de janeiro de 2006, acrescenta que, com a aprovação do
referido Estatuto, teremos: "Uma nova Constituição; o cancelamento do
princípio republicano da cidadania
; a criação da figura jurídica dos
afro-brasileiros; o suprimento do conceito de igualdade política e jurídica
do cidadão; a generalização do sistema de cotas "raciais"; a estimulação de
criação de infinidades de novos cargos públicos reservados, por lei, a
dirigentes de ONGs. representativa dos afro-brasileiros".

O BRASIL passou a adotar a discriminação. Nos documentos
oficiais do cidadão apenas se dizia: BRASILEIRO(A). Agora, nossos filhos
serão: BRANCO - AFRO-BRASILEIRO - AMARELO - JUDEU - ÁRABE - ÍNDIO - etc.
Daqui a pouco, teremos estrelas de seis pontas, estrela vermelha, ou estrela
branca, ou preta, no braço, diferenciando as raças.

NOSSOS LEGISLADORES ESTÃO SEMEANDO O ÓDIO ENTRE BRASILEIROS.
OS BRASILEIROS QUE SE AMAVAM PASSARÃO A SE ODIAREM... PELA RAÇA... ”

( Cel Batista Pinheiro - Grupo Guararapes )
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NOSSO ADENDO: gostaríamos de terminar o mês do aniversário da gloriosa São Paulo apenas com textos e poesias que nos trouxessem alegria, esperança e felicidade; todavia, na qualidade de gestor deste portal, e de BRASILEIRO, não posso deixar de expressar profundo REPÚDIO a mais esse desserviço ao nosso povo e nação, denunciado brilhantemente pelo Grupo Guararapes ao qual parabenizo !!! Somos totalmente contrários a qualquer política de COTAS RACIAIS, por ser um preceito que FERE MORTALMENTE a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA-click aqui (exemplo: item IV do Art 3º IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação). Desta forma, somos contrários a toda e qualquer tentativa de implantação do APARTHEID BRASILEIRO, por grupos de interesse que se infiltraram no poder, rotulando com o artifício de belas palavras e frases de alto impacto a COR das pessoas, na busca de regalias discriminatórias !!! O racismo e a discriminação, de qualquer tipo, inclusive a de COR, discriminação maléfica ou benéfica, constituem CRIME perante uma constituição que prega a IGUALDADE de DIREITOS e DEVERES !!! Podemos aceitar e já aceitamos muitas, desde que baseadas no BOM SENSO, regalias para os deficientes físicos e idosos, ou mesmo por CONDIÇÕES SOCIAIS (este o verdadeiro problema brasileiro), mas nunca regalias ou restrições baseadas na COR DA PELE !!!

Conforme o Artigo 1º do pseudo Estatuto da Igualdade Racial (CLICK AQUI e conheça na íntegra):
"Esta lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, para combater a discriminação racial e as desigualdades raciais que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas desenvolvidas pelo Estado.

Parágrafo 1º: Para efeito deste Estatuto, considera-se discriminação racial toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública.

Parágrafo 2º: Para efeito deste Estatuto, consideram-se desigualdades raciais as situações injustificadas de diferenciação de acesso e gozo de bens, serviços e oportunidades, na esfera pública e privada."

Louvável até aqui, não é mesmo, principalmente se atentarmos para as palavras grifadas no parágrafo 1º (restrição ou preferência), com exceção da menção feita a afro-brasileiros... Não existem afro-brasileiros, mas apenas e tão somente BRASILEIROS. Apenas como exercício de raciocínio, se pudéssemos, e não podemos, supor que existissem afro-brasileiros e que este fosse um Estatuto da Igualdade Racial, onde estão as referências aos nipo-brasileiros, ítalo-brasileiros, hispano-brasileiros, germano-brasileiros e todos as outras raças que compõem a nação brasileira, fundamentalmente os descendentes dos antigos DONOS DESTA TERRA, os ÍNDIOS BRASILEIROS, e os descendentes dos seus primeiros descobridores, os luso-brasileiros???... por quê não são mencionados ?? Isso é pura discriminação e seus autores deveriam ser punidos na forma da lei !!!!

Vejamos agora o Capítulo VII:

" CAPÍTULO VII (Do Sistema de Cotas)
Art. 52. Fica estabelecida a cota mínima de vinte por cento para a população afro-brasileira no preenchimento das vagas relativas:
I – aos concursos para investidura em cargos e empregos públicos na administração pública federal, estadual, distrital e municipal, direta e indireta;
II – aos cursos de graduação em todas as instituições de educação superior do território nacional;
III – aos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES).
Parágrafo único. Na inscrição, o candidato declara enquadrar-se nas regras asseguradas na presente lei.
Art. 53. Acrescente-se ao art. 10 da Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, o § 3o-A, com a seguinte redação:
“Art. 10. ......................................................................
§ 3o-A. Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento para candidaturas de afro-brasileiros.
............................................................................... (NR)”
Art. 54. As empresas com mais de 20 empregados manterão uma cota de no mínimo vinte por cento para trabalhadores afro-brasileiros. "

Maravilhosa gestão DISCRIMINATÓRIA e ANTICONSTITUCIONAL em favor de um único GRUPO (afro-brasileiros), se é que isso existe fora das mentes enfermiças destes grupelhos... Para nós, o que existe no BRASIL é uma ÚNICA RAÇA, totalmente miscigenada, desde as cores originais do branco, amarelo, negro e vermelho, até as suas mais variadas nuances, raça esta que nunca poderá, como querem estes grupos, ser COMPARTIMENTADA ou segmentada...

Talvez essa gente seja a reencarnação dos asseclas do odioso HITLER e/ou simpatizantes, em nosso país, amantes do 'NADA aos judeus e TUDO para a pura raça ariana' !!! Ou quiçá os escravocratas do passado, que hoje retornam sob uma pele mais escura... e que não se conformam com isso, exigindo e tentando impor aos demais regalias completamente descabidas... que não resolverão nenhum dos reais problemas, mas que vão atender os interesses de altos lucros de determinados grupos, que não se importam nem um pouco em fazer recrudescer o rascismo, mais uma chaga viva para o nosso vilipendiado BRASIL !!!

PELO AMOR DE DEUS, NOBRES DEPUTADOS E SENADORES: DÊEM UM BASTA NESTE TIPO DE ATITUDE !!!

Devemos lutar, SIM, e este portal estará sempre ao lado da LUTA pela melhor distribuição de renda e pelo combate à profunda DESIGUALDADE SOCIAL deste país, todavia, NUNCA estaremos ao lado de qualquer tipo de DISCRIMINAÇÃO RACIAL, seja para impor restrições ou para auferir regalias !!!

Leia mais acerca deste assunto - AGÊNCIA CÂMARA - MUNDO JURÍDICO - PRAVDA

( Eng. Celio Franco - Gestor NSP - Biografia - 1959 / **** )
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